Quem Morre no Brasil Vira Santo - Pompa - Crônicas Debochadas

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Quem Morre no Brasil Vira Santo

CONTOS

Fui a diversos enterros durante a minha vida. Eu já me despedi dos meus pais, de tios e tias, de amigos de infância e do trabalho, de irmãos e irmãs e até em funerais de inimigos eu acabei prestando condolências. Depois de toda essa vivência, ou mortência talvez, eu acabei percebendo que uma característica era igual em todos funerais a que eu comparecia: a enorme capacidade que as pessoas possuem de tentar melhorar a biografia daqueles que estão partindo.

“Quem morre no Brasil vira santo”.

Isso é o que um amigo meu sempre dizia naquelas horas. E eu acho que ele tinha razão. Eu mesmo comprovei dessa teoria quando faleci e os meus amigos e familiares fizeram afirmações duvidosas no meu velório:

-“O Pompa era um excelente aluno”, disse um professor que havia me reprovado no ensino médio.

-“Um trabalhador exemplar”, disse um primo que só me aceitava na sua empresa por pressões familiares.

-“Mais fiel do que a cachorra Lessie”, disse uma ex-namorada que me viu latindo em outras freguesias.

-“Um sujeito cuja única dívida foi ter nos deixado órfãos da sua presença”, disse meu advogado que estava penhorando um dos meus imóveis para pagar seus honorários.

-“Macho acima de qualquer suspeita”, disse uma voz que me conhecia a fundo e que provocou risadas e comentários irônicos no meu velório. Pedi a Deus que me levasse logo dali.


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