O Topete do Elvis - Pompa - Crônicas Debochadas

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O Topete do Elvis

CONTOS

Foi um colega de trabalho que havia me convencido a procurar uma cirurgiã plástica. Ele havia feito um implante de cabelo e estava satisfeitíssimo com o resultado.Ele falou tanto sobre aquilo e me mostrou seu cabelo tantas vezes, que eu resolvi procurar a mesma cirurgiã de nome Martha.
O consultório da doutora ficava em uma das áreas mais nobres da cidade. A consulta era cara e o lugar chique. Fui atendido na hora marcada e achei aquilo sinal de que alguma coisa boa me aguardava.
-Bom dia. O senhor é o Pompa? Perguntou a Doutora.
-Sim, sou eu.
-Por favor, entre.
-Obrigado.
Ela começou me perguntando o de praxe: quantos anos eu tinha, se eu possuía alergia a algum medicamento e como fiquei conhecendo a clínica. Quando terminou o questionário, virou-se pra mim e perguntou:
-Então, em que posso ajudá-la?
"Vim comprar bananas", Pensei comigo.
-É que eu gostaria de ter o cabelo comprido, falei.
-Comprido como? De que tamanho?
-É um sonho da adolescência, doutora. Quando eu era mais novo, eu queria ter os cabelos compridos iguais aos meus ídolos do Rock, entende?
-Sei.
-Agora fiquei sabendo que existem estes implantes que fazem maravilhas pelas pessoas. Teve um conhecido meu que me disse que eu poderia até ter o topete do Elvis se eu quisesse.
Ela fez força pra segurar o riso, mas acabou soltando uma gargalhada. E disse:
-No estágio em que o Senhor se encontra, seu Pompa, o máximo que vai conseguir é ficar igual a minha sobrinha de um mês.
Fiquei sério enquanto ela ria e falei:
-Obrigado doutora, mas já vou indo.
-Acalme-se, rapaz. Falou ela me segurando pelo braço. Isso foi só uma piada pra descontrair. Sente aqui nesta cadeira, por favor.
Ainda pensei novamente em ir embora, quando me lembrei do preço exorbitante daquela consulta. Acabei sentando. Ela colocou uma luz forte em cima da minha cabeça e ficou analisando aqueles poucos fios que me restavam. E disse:
-Seu Pompa?
-Sim, Doutora.
-Sua área doadora é muito pequena para o Senhor ter um topete igual ao do Elvis Presley. Você terá que tirar cabelo de outro lugar.
-De onde então, Doutora? Faço qualquer negócio para realizar esse sonho tardio do Rock'n Roll.
-Do seu saco, Pompa.
-Do meu saco!?
Nessa hora ela botou a mão na barriga e disparou a rir novamente. Chegou a apoiar-se na mesa para não vir ao chão de tanto que gargalhava. Fiquei olhando a cena e pensei: Alguém pode me fazer de besta uma vez, mas duas não. Aí eu disse:
-Se a Senhora passar a língua, os cabelos do saco amolecerão mais rápidamente e ficará mais fácil extraí-los. Quer tentar?
Olhamo-nos por alguns segundos e desabamos os dois em gargalhadas homéricas. Eu e a Doutora nos casamos pouco tempo depois e meus cabelos já estão nos meus ombros.

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