Crise Hídrica - Pompa - Crônicas Debochadas

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Crise Hídrica

CONTOS

Brasília sempre foi uma cidade de clima quente, seco e de poucas chuvas. Porém, a população não se conformou quando o Governador do Distrito Federal anunciou um racionamento de água devido a essas longas estiagens. Foi difícil para as pessoas se convencerem que ficariam alguns dias na semana sem ter água nas torneiras e que ainda por cima teriam que colaborar gastando menos água dali para frente.

De fato, aquele foi um período muito complicado. Ainda lembro do telefonema que eu recebi do próprio governador solicitando a minha colaboração:

-Precisamos das suas ideias, Pompa. O racionamento vai passar para duas ou até três vezes na semana. Desse jeito eu não vou conseguir me reeleger, meu caro.

-E o senhor está mais preocupado com sua reeleição ou com a população, governador?

-Eu estou mais preocupado com o meu mandato mesmo, Pompa. E se você não quiser colaborar com a gente eu contrato outro muquirana desempregado que nem você rapidinho. É pegar ou largar.

-Eu pego governador. Aliás, eu já peguei.

Uma semana depois, o Governo do Distrito Federal anunciou que o racionamento havia passado para dois dias na semana. Até mesmo para escovar os dentes já começava a faltar água de manhã cedo. Era o início do caos. Eu tinha que agir rápido.

A busca pela solução

Fiquei pensando em como resolver aquele problema hídrico por vários dias. Procurei na internet alguma cidade do mundo que já tivesse passado pela mesma situação, mas não encontrei. Procurei livros, especialistas no assunto e até geógrafos da Universidade de Brasília, mas ninguém tinha uma boa alternativa para me oferecer. Eu já estava desistindo de encontrar uma solução quando ao acaso ela acabou surgindo.

Bode expiatório

Eu estava num sábado à noite esperando minha namorada terminar de tomar um banho, quando ela começou a demorar muito tempo para sair do chuveiro. Na verdade, aquilo era uma rotina. Todas as vezes em que eu tinha que esperar não só a minha namorada, mas irmãs, tias, primas, sobrinhas ou até mesmo a minha própria mãe terminar de tomar um simples banho, a demora era imensa. Diante disso, eu acabei ligando para o governador:

-Governador, eu já sei como tirar o foco dessa crise hídrica de cima do senhor. Eu arrumei um bode expiatório para isso.

-E que bode expiatório é esse que você arrumou, Pompa?

-Na verdade não é um bode expiatório, é uma cabra mesmo, pois são as mulheres que estão acabando com a água da nossa cidade através de banhos demoradíssimos.

Pompa/2017



 
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