Caixinhas de Natal - Pompa - Crônicas Debochadas

Ir para o conteúdo

Menu principal:

Caixinhas de Natal

CONTOS

O fim do ano foi chegando, e com ele os pedidos de doações. Naquele ano as chuvas castigavam alguns estados do Brasil e havia milhares de necessitados. Fiz as doações no próprio trabalho, pois existiam várias caixas de coleta nas portarias da empresa.

Ao chegar na seção, pediram para colaborar com uma vaquinha natalina para o menor estagiário. Ele havia completado 18 anos e tinha que se desligar do programa. Uma outra servente, quando ficou sabendo do agrado ao adolescente, pediu que contribuíssem com ela, e eu consenti.

Era véspera de Natal e eu havia recebido meu décimo terceiro. Enquanto trabalhava, pensava em ir até a Livraria Cultura no término do expediente para gastar um pouco da grana. Ainda naquele mesmo dia, colaborei com mais uma caixinha . Dessa vez eram os carregadores de material que haviam pedido as doações.

A tarde estava quase no final e eu ficara encarregado de fechar a seção. Enquanto enrolava na internet, pensava no DVD da Julieta Venegas me esperando na Livraria. De repente, entrou uma senhora na seção dizendo:

"Meu filho, Jesus te ama! Colabore com a caixinha da irmã."

Pensei comigo: Nesse ritmo e daqui a pouco eu é que vou ter que fazer uma caixinha para mim.

Ainda assim eu disse:

"Espere um pouco, deixa eu ver aqui no meu bolso."

Olhei na carteira e havia uma velha nota de R$1,00 e outra de R$5,00.

Estendi a de um R$1,00 e falei:

"Bom Natal irmã."

A mulher me olhou com ar aborrecido e falou:

"É mais fácil um camelo entrar num buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus."

Nunca mais colaborei com aquelas malditas caixinhas.

2010
 
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal